Seu trabalho é um saco, você não tem tempo de realizar as coisas importantes, seu cachorro cagou dentro do seu tênis novo, você acordou e colocou o pé no tênis, acabou a água nos eu bairro, você não pode lavar o tênis e por aí vai. Se “só” isso acontecesse, você já seria um azarado. Agora, se além disso acontecesse o que aconteceu comigo no metrô, quinta-feira e você ainda não tiver se suicidado, meus pêsames. É apenas uma questão de tempo para a morte certa.
Estava eu no metrô, com olheiras gigantes que me assemelhavam ao Benicio Del Toro, lendo um livro técnico pra um trabalho de rádio, algo que jamais despertaria os instintos mais primitivos do sexo oposto. Até que, do nada, na estação São Bento eu ouço trombetas tocando. Como a estação fica ali na região da 25 de Março, achei que poderia ser o rapa. Não era, eram anjos, anunciando que um deles estava prestes a falar comigo.
- Bah, que livro tu tá lendo?
treme
- Er… hum… é bem… pra… um trabalho…
mostra a capa
Loira.
Linda.
Sotaque gaúcho.
A garota que você apresentaria pra todo mundo ficar com inveja.
Um anjo.
Ela disse que já tinha usado bastante aquele livro, pois trabalhava no ramo e começamos a engatar uma conversa bem legal, que poderia culminar com ela vindo até aqui em casa pra ver minha, hum… coleção de radiotransmissores, sei lá. Foi quando eu ouvi algo que me desmontou, tirou meu chão, me arrasou de verdade:
“Estação Sé. Desembarque pelo lado direito do trem.”
- Er, tenho que descer.
É nessas horas que a gente entende quando dizem pra parar de cabular aula na faculdade.
Sobram dias livres pra que você REALMENTE precise faltar.
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Comentário sagaz do acontecido:
Júlio:
Porra, você é um cara de muita sorte. Veja a minha história: estou no trem, lendo Los Angeles - Cidade Proibida. De repente alguém bate no meu braço. Olho para frente e é um cara com os dentes do Ronaldinho Gaúcho e ele lia um livro chamado O 8º Objetivo. Então ele diz:
- Desculpa atrapalhar sua leitura…
- Que isso, não esquenta…
- Só tô falando isso porque você bateu com seu livro no meu nariz… duas vezes.
Enquanto isso você encontra a Luize Altenhoffen no metrô e desce na Sé. Agora sabe quando você vai encontrar essa mulher de novo? Nunca!
Eric:
Talvez numa feira de comunicações
Júlio:
Mas enfim, já era véi. Quando você encontrar de novo ela vai estar com um cearense, provavelmente o cara que estava lendo O 8º Objetivo. O mundo é corno e cruel, mas a baleia que não chifra é fiel.