Q

February 01, 2007 | 05:24

Quando eu escrevi a resenha de Poseidon, eu disse que você poderia ter noção da ruindade de um filme a partir do momento em que achar uma piada a cada fotograma se tornasse mais divertido do que a história contada na tela. Apocalypto não é nem de longe tão ruim quanto Poseidon, porém a quantidade de piadas proferidas nos 123 minutos de filme deve ter credenciado eu, Gabi e Zander pras Olimpíadas de Pequim no ano que vem.

E me parabeinzem porque eu não fiz o trocadilho OlimPIADAS.
Merda, acabei de fazer.

Jaguar Paw (Ronaldinho Gaúcho) e seus amigos maias levam uma vida normal no meio da floresta. Caçam, fazem filhos, andam com uma tanga fio dental e tiram sarro de seus amigos impotentes até que vem um outro povo, queima tudo e fode com o vilarejo, transformando seus habitantes em escravos. Os povos mudam, mas você já cansou de ouvir essa história. E diferentemente do que acontecia de verdade, sempre tem um cara (provavelmente um blogueiro se naquelas épocas existissem computadores e layouts by Marina) que por algum motivo dá um jeito de não se dar mal nas mãos do inimigo.


"Ronaldinho Gaúcho parte em disparada pra fazer o gol"


E Jaguar Paw é esse cara. Mais do que um épico que conta o declínio da civilização maia, Apocalypto é uma história sobre vencer seus medos e no decorrer do filme - a despeito dos meios bizarros e das falhas grosseiras feitas para se amarrar o roteiro - o espectador vê o medroso prisioneiro se transformar no senhor da floresta.

Não é um épico, não é um clássico e não é lá grande coisa.
É só um filme com um visual bonito e falado numa língua estranha.

SPARTAN CONNECTION

January 24, 2007 | 04:40

Pra quem achava que o Rodrigo Santoro era o único brasileiro no elenco de 300, é só dar uma olhada na foto e achar mais um brazuca.


"O governo Xerxes é uma vergonha"

Diogo Mainardi, não contente em aporrinhar os outros na Veja, decide se aventurar no meio da plebe pra falar mal do governo Lul… ops, Xerxes. 

ONLY THE GOOD NOTES

January 12, 2007 | 04:06

Antes de começar, se faz necessária uam confissão: eu gosto de filme de mulherzinha. Além de ser uma desculpa muito boa pra comer um pote inteiro de sorvete, desfrutar da companhia feminina e impressionar a mulherada como um cara sensível e tudo mais, filmes de mulherzinha também servem pra… hum… pra mais nada, desculpem.

Falando mais ou menos sério, é sempre bom ver um desses pra espairecer ou pra dar boas risadas sem ter que achar um significado profundo a cada fotograma. E com O Amor Não Tira Férias (The Holiday) nós temos um belo exemplar disso.

Amanda (Cameron Diaz), uma workaholic produtora de Hollywood e Iris (Kate Winslet), uma jornalista inglesa à la Bridget Jones acabaram de sofrer desilusões amorosas às vésperas do Natal e tudo o que mais querem é ir para o lugar mais afastado da lembrança dos homens que as fizeram sofrer (aliás, afastado de QUALQUER homem) e passar o feriado tomando sorvete no pote e assistindo toda a filmografia da Julia Roberts. Como estamos em Hollywood, elas misteriosamente entram em contato e trocam de casa, carro, papagaios e escovas de den… hum, bem, eu acho que cada uma levou a sua na viagem.
O fato é que chegando em seus novos lares - e considerando o fato de que esse é um filme de mulherzinha - não tarda até que novos rapazes apareçam. Com seus intérpretes inspirados, Graham (Jude Law) e Miles (Jack Black, irreconhecível) roubam a cena (e os corações das moçoilas) mostrando que nem todos os homens são monstros insensíveis e sem coração que são em 95% do tempo. Paralelamente a isso, há uma singela homenagem a indústria do cinema, sempre capitaneadas por Jack Black e Eli Wallach, na pele de um roteirista da Hollywood das antigas e que encanta a sonhadora personagem de Kate Winslet.


                                                                "Heh"

Não bastasse a trama bem contada, as belas locações e a Cameron Diaz de sutiã, o fator crucial que faz com que você nem perceba que tem 2 horas e meia de duração é a escolha do elenco. Kate Winslet é 200 vezes mais carismática que Reneé Zekjsdbfgger no papel de jornalista inglesa que sempre se fode em relacionamentos; Jude Law tem um quê de galã de filme antigo que dá um charme especial ao filme; Cameron Diaz, apesar de ser a menos inspirada dos 4 (pois quase sempre faz o mesmo tipo) entrega o papel razoavelmente bem e Jack Black como você raramente vê: não peida, não arrota, não mostra a pança, nem faz performances de luta livre e ainda por cima mostra que pode ser um cara que você pode apresentar pros seus pais.

Se você gosta de filme de mulherzinha: vai, é garantia de boas risadas.
Se você não gosta: é uma boa chance de você perder esse preconceito.
Se você tem namorada e odeia esse tipo de filme: vai, nem que seja pra depois usar como chantagem pra arrastá-la pra uma sessão de Borat.
Se você não tem namorada: vai com fé e vê se dá um jeito nas malditas meninas que tem orgasmos múltiplos quando vêem o Jude Law.

Nota: 8 e mais um pote Häagen Dazs Belgian Chocolate.

O ANO DO PLÁGIO

January 06, 2007 | 08:12

Pegando embalo na idéia do Julio e aproveitando a preguiça de desenvolver idéias boas de post, vamos resenhar até comercial de margarina nessa pocilga. Menos conversa e mais ação. Senhoras e senhores o primeiro post de 2007.

NACHO LIBRE

O que você pensaria se ouvisse que o Jack Black ia fazer um filme onde ele é um religioso que pratica luta livre e depois visse algumas fotos de divulgação absurdamente engraçadas de tão ridículas? Não sei quanto a vocês, mas eu pensei “preciso ver essa joça agora”. Depois de pensar isso, descobre que as distribuidoras brasileiras vão lançar o filme direto em DVD e começa a praguejar.

Aí você assiste e agradece por não ter pago mais caro e pego fila pra ver isso.

Sinceramente, é um filme ruim. E atentem para o fato de que eu sou um infame nato e gosto de bobagens como Debi e Lóide e qualquer besteira que tenha o Adam Sandler no elenco, mas o que pintava como um pastelão agradável se torna uma seqüência sem fim de piadas batidas e sem timing.
 
Ignacio (Jack Black) é o insatisfeito e sonhador cozinheiro do monastério de uma pequena cidade no México. É subjugado por seus superiores, mas alimenta o sonho de ser respeitado e vencer na vida, tanto pra ajudar os órfãos do monastério como para impressionar a irmã Encarnación (Ana de La Reguera).  Sim, minha gente, já não bastasse ser um fodido na vida, nosso herói ainda é apaixonado por uma freira. Uma luz se ilumina quando Ignácio decide se inscrever no torneio de luta livre para novatos. Assumindo a identidade de Nacho (para não ser reconhecido e conseqüentemente expulso do monastério) e auxiliado por seu companheiro de ringue, Esqueleto (Héctor Jimenez), Ignacio começa uma jornada de dor e humilhação, tomando um cacete na grande maioria das lutas até que… assistam o filme pra saber o final, bestas.


"Santo Oscar de figurino, Nacho!"

Por mais que Black e Jiménez sejam carismáticos, o filme começa a se tornar maçante e depois de 20 minutos de filme você já começa a adivinhar todas as piadas que vem na seqüência. Uma pena, porque a premissa era boa.

Em todo caso, se você não gostar pode desligar e assistir o Rally Paris Daccar.
Nota: 4,5 e uma chave de braço pra ficar esperto.

QUEBRANDO O PORQUINHO

December 09, 2006 | 03:25

Apesar de breve, a minha pequena estadia no curso de Rádio e TV esse ano me rendeu alguns contatos. Nenhum deles bate bem da bola, como pode se comprovar a seguir. Dois deles foram chamados pra integrar a equipe de um novo canal de tv a cabo que será lançado em breve e até aí, tudo parece normal.

As coisas começam a ficar estranhas quando eu descubro que um deles lê blogs (na boa, eu jamais contrataria alguém que lê blogs), mostra pro segundo e este acaba gostando também. Ficam ainda mais estranhas quando o blog em questão é o meu (e os outros da Blogagi também) e pioram definitivamente quando eles resolvem nos fazer uma proposta. 

Um sitcom, roteirizado por nós.

Óbvio que esses caras comeram criança quando eram cocô e que essa porra não vai passar do episódio piloto, mas já que a merda ta feita, porque não propor um elenco milionário? Ladies and gentleman…

CASTING BLOGAGI

Eric (Owen Wilson)
Com seu nariz naturalmente torto, Owen Wilson é o ator ideal para me interpretar. De joelhos, claro, para ficar do meu tamanho.

Gabi (Drew Barrymore)
Criança problema, cabelos desgrenhados… é a Gabi.

Julio (Jason Alexander)
Por incrível que pareça, o Julio não é tão baixo, nem tão careca e nem tão gordinho, embora o futuro dele aponte pra isso. 

Monica (Reese Whiterspoon)
Loirinha, fofa, meiga, falando com a velocidade de uma metralhadora: Monica? Não, Reese Witherspoon.

Junior (Vinnie Jones)
Olha o tamanho do cara, o olhar malvado, lembre que ele foi o jogador mais violento do futebol inglês  e imagine um “I hate you all”.

Livia (Halle Berry)
Olhos negros, cabelos cacheados e boa atriz. Esqueçam Mulher-Gato e visualizem Halle Berry dizendo: Vai um pãozim de queijo?  

Lilhá (Megan Mullally)
Voz de cantora, peitos de diva, personalidade bizarra: Abraça a ovelha, Megan.

Zé Barollo (Joey Fattone)
Pensou numa bicha italiana? Agora olhem bem esses narizes? Joey Fatone, ex-cantor (ha-há) do N´Sync, é perfeito para interpretar Zé Barollo, o homem das polainas.

Théo (Daniel Radcliffe)
Mister Pottah! Daniel Radcliff nem precisa de maquiagem para interpretar Theo, o mago do html.

Daygo (Daniel Dae Kim)
Oriental, com o corpo em cima ui, Daniel Dae Kim é perfeito para o papel. Mas sugiro que se jogue um pouco de purpurina em cima, só pra garantir.  

Lelê (Ivete Sangalo)
Apesar do medo de apanhar, não hesitamos: Ivetinha é a Lelê e pronto.

Zander (Jason Lee)
Carioca, malandrão. Jason Lee ficará ótimo forçando os erres e esses.

Participações especiais:

Zé Gutão (Jackie Chan)
O auto-nomeado kamikase do amor merece um intérprete á altura. Agora imaginem Jackie Chan de terno e dançando: Djobi! Djobá!


Primão (Seth Green)
Como o nome já diz ele é primo de alguém, nesse caso, do Théo.
Apesar de não ter um blog ele é o companheiro de aventuras do nosso pequeno Harry quando eles vem da longínqua Taboão da Serra.

*
Agradecimentos especiais a Drew Barrymore pela ajuda com algumas descrições e ao Harry Potter pela edição das imagens.

FOI POR MEDO DE AVIÃO

September 12, 2006 | 06:24

Depois dessa semana, acho que nem se alguém dissesse que a Mônica Bellucci queria dar pra mim pra todo o sempre e que tudo o que eu teria que fazer era subir num avião e ir pra Itália eu o faria.

Vejam bem, não tirem conclusões precipitadas, eu adoraria fazê-lo, mas na quinta-feira fui com o Julio assistir Vôo 93 (United 93, 2006), filme que conta a história do quarto avião que foi seqüestrado naquele fatídico 11.09.2001 e que provavelmente tinha como destino a Casa Branca.
O filme começa meio chato, naquela linguagem bonita de tráfego aéreo que é tão interessante quanto assistir um documentário sobre a vida social das ascaris lumbricoidis – principalmente porque elas não têm vida social. Depois de um tempo, o filme decola (pegou, pegou?) e toda a tensão, o medo, a repulsa, bla bla bla sobre os atentados estão ali. Foi bastante elogiado pela crítica, mas eu não vi nada demais, além de um terrorista que parecia um daqueles peruanos que tocam My Heart Will Go On com flautas de bambu na Praça da Sé.

No sábado, dona Lilhoca me emprestou os dvds da 1ª temporada de Lost. Você não sabe o que é Lost? Pelo jeito o Théo anda fazendo escola… Resumidamente, um grupo de pessoas perdidas numa ilha depois que um avião caiu e… isso é toda a informação necessária de que você precisa pra esse post ter sentido.

No domingo, depois de matar 3 garotas e uma criança pra pegar um buquê no Rio de Janeiro, Gabi voltou com vontade de ir ano cinema. Ela queria ver o mullet do Colin Farrell em Miami Vice, mas graças a um site desatualizado, fomos obrigados a assistir Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane, 2006). Qual é o crédito que você dá pra um filme com esse nome? E o que dizer então da história? Na verdade, não tem história! São cobras! Num avião!
Por incrível que pereça, o filme é bom. Não é um primor de roteiro, não vai ganhar o Oscar nem nada, mas num domingo a noite comendo MM’s e bebendo um Guaraná de 900ml é tudo o que você poderia querer (além de um banheiro, depois dessa quantidade monstro de refrigerante).
E porra, é o Samuel L. Jackson.

Levantem a bunda daí e vão assistir a bagaça.


"Enough is enough! I have had it with these motherfucking snakes on this motherfucking plane!"

E se por acaso eu esquecer, me lembrem de nunca mais entrar num avião.

I SEE NARF PEOPLE

September 06, 2006 | 03:29


A Dama na Água (Lady in the Water, 2006)
Direção: M. Night Shyamalan
Estrelando: Paul "Anti Herói Americano" Giamatti, Bryce Dallas "serei a Gwen Stacy" Howard e M. Night "oi, eu sou o diretor" Shyamalan


Comunicado importante: A Dama na Água não é um exemplo clássico de filme de M. Night Shyamalan. Não espere um final aterrador (O Sexto Sentido), uma virada incrível (Corpo Fechado), um ponto de vista a ser discutido (Sinais) ou uma mensagem suliminar qualquer (A Vila).

É só um filme sobre fé e o quanto você quer acreditar nela.

O grande karma da vida de Shyamalan é que até o Juízo Final, vão esperar que ele faça outro filme igual à O Sexto Sentido, que sinceramente, nem é o melhor filme dele. Se você já guardou seu  preconceito pra continuação de Efeito Borboleta como eu, acho que já posso começar a resenha.

Cleveland Heep (Paul Giamatti, competentíssimo) é o zelador gente boa de um condomínio onde moram os tipos mais estranhos e legais que você poderia ter como vizinhos - um grupo de maconheiros que passam o dia todo falando besteira, carinhosamente chamados de Blogagi, um cara viciado em palavra cruzada e seu filho que tem teorias bastante peculiares a respeito se suas caixas de cereal e até a irmã casamenteira chata que solta frases absurdas e completamente fora de propósito nas horas mais inoportunas.

Sua rotina é abalada quando Story (Bryce Dallas Howard) aparece inexplicavelmente na piscina do condomínio. Story é uma narf, que segundo uma antiga história do folclore oriental, se refere as ninfas do mar e a todas aquelas coisas bizarras que sempre existem em histórias folclóricas.


"It’s raining, man!"
"Hallellujah…"

O que faz uma ninfa do MAR aparecer numa piscina ainda é um mistério (quem sabe se ela aparecesse em Miami Vice), mas deixem de ser chatos como eu e prestem atenção na história.

Story é a ninfa-mor e veio até a superfície fazer contato com os humanos pra ver se essa desgraça de povo vai pra frente. Pra isso precisaria entrar em contato com um homem que ia escrever algo importante (não, não era um blog). Bom, ela entrou, mas segundo as lendas tinha um bicho feio que não queria isso e tenta matá-la. A história em si é bem bobinha, quase infantil, mas a idéia do filme é: se uma garota aparece seminua na sua casa, cuidado. Ela pode estar sendo perseguida por um scrunt malvado e vai precisar da sua ajuda.

Na verdade acho que o Shyamalan não queria dizer exatamente isso, mas eu não sabia como terminar o texto. That’s all folks!

I CREATE A BLOG… ON THE LAKE. IT’S BEAUTIFUL

August 21, 2006 | 12:37

20buscar diz:
I bought a house on the lake… it’s beautiful
Gata100gato diz:
(heh) 

Pra simplificar essa resenha pra você, caro amigo nerd que tem um blog, A Casa do Lago (The Lake House, 2006) é como se fosse um relacionamento que começou na Internet. É um pouco mais bizarro (se é que pode ser mais bizarro do que pegar alguém à distância) porque se trata de uma distância de tempo, e não de espaço.

Kate Forster (Sandra ‘óunquefofamimimi’ Bullock) acaba de se mudar da referida casa e deixou um bilhete pro novo inquilino dizendo “Pô véi, se o carteiro chegar aí diz que eu mudei de endereço. Ah isso serve pro leiteiro e pro encanador também. Ah, seria pedir muito mandar a carta pro endereço novo? Valeu gato, beijo”. Por alguma razão, aquela caixa de correio estava encapetada e eles conseguiam fazer uma conexão espaço/tempo muito louca. A carta então foi recebida não pelo novo inquilino, mas sim pelo antigo, Alex Wyler (Keanu ‘mamãe eu sou um legume’ Reeves). Aí depois de ocorrer aquele estranhamento natural que sempre acontece quando você começa a se corresponder com pessoas que vivem no passado (torcedores do Santos, por exemplo) rola aquele papinho cremoso de quem é você? Do que você gosta? O que está vestindo? Tem webcam?

O filme é de amor, pré-requisito básico pra que seja uma grande bomba com diálogos clichês e nada pra acrescentar, além de criar gente pra dizer “A MEg rYaaAnNn Eh tAuMmMm fOwWwWwFa”. Por incrível que pareça, o filme só não cai nessa desgraça porque Bullock e Reeves parecem ter uma química bacana, aliás, Keanu Reeves vem fazendo progressos em sua carreira de ator. Perto do fim do filme, ele quase consegue expressar um sentimento com a sua atuação, mas continua atuando tão bem quanto um legume.

PAUSA PARA A INSERÇÃO DE PIADINHAS VISUAIS


"I bought a house… on the lake. It’s beautiful "



"I bought a house… on the lake. It’s beautiful "



"I bought a house… on the lake. It’s beautiful "



"I bought a house… on the lake. It’s beautiful "



"I bought a house… on the lake. It’s beautiful "

FIM DA PAUSA PARA A INSERÇÃO DE PIADINHAS VISUAIS

A história é bem amarradinha, Bullock é fofa, Reeves é o canastrão mais bacana de Hollywood e o filme nem é tão deprimente quanto o trailer faz parecer. Dito isso, alguém tem mais alguma consideração a fazer?

Gabi says:
mencione que o cachorro é feio de doer

Puta que pariu, o cachorro é mais feio que o Enéas sem barba.

026. Fear of Sleep

July 28, 2006 | 09:07
Cá estou eu, 06:20 da manhã escrevendo um post pra vocês, meus queridões. Você deve pensar "porra, esse cara não dorme?”. Sim, farei isso daqui uns 15 minutos, mas quem não dorme é meu amigo Trevor Reznik. Quem diabos é esse fulano você vai me perguntar. Reznik é o personagem fodasticamente interpretado por Christian Bale em O Operário (The Machinist, 2004), thriller de suspense que eu só vim a assistir ontem, enquanto – olha a ironia – o sono não vinha.

Trevor é um operário magrelo que divide seu tempo entre o serviço, as visitas a prostituta Stevie que é quase sua namorada e algumas xícaras de café e um pouco da boa companhia da garçonete Marie no saguão do aeroporto. Excetuando-se a solidão, uma vida normal não fosse por um estranho hábito: Trevor não dorme há um ano -  o que faz com que seu corpo, e posteriormente, sua mente – não estejam em suas perfeitas faculdades.

A tagline do filme (como acordar de um pesadelo se você não está dormindo?) começa a fazer sentido quando surge Ivan, um novo e misterioso companheiro de trabalho e que traz junto de si diversas perguntas e situações bizarras, entre elas um acidente de trabalho, no qual Reznik acaba levando a culpa. Desenrola-se então uma trama cheia de paranóia e revelações que mostram que quanto mais Reznik sabe, menos ele vai querer saber.

Vale ressaltar a atuação fantasmagórica de Christian Bale (que perdeu 28 quilos com uma dieta que consistia em uma lata de atum e uma maçã por dia) que além de conferir veracidade ao personagem, não deixa que ele apenas pareça um esqueleto que atua e protagoniza momentos leves com suas companheiras de cena, aliviando um pouco da angustia dos quase 100 minutos de filme.



"Usei TAK500 por 15 dias e reduzi minha medidas em 12 números. Estou paranóico e a beira da morte, mas pelo menos posso ser enterrado com aquele vestidinho preto que não me cabia!!!"
 
 
É um suspense honesto, que não se vale de bigornas ou pianos se espatifando para assustar alguém e faz com que você não desgrude a bunda da poltrona até que o filme acabe, ávido por saber o que acontece na próxima cena. Não vai mudar sua vida – a menos que você se solidarize com a magreza de Reznik e decida enviar alimentos as crianças da África – mas vale cada real que você economizou na cantina pra assisti-lo.


“Where’d you go?
Fear of sleep, ooh Fear of sleep
So you know, I’m not done”

Fear of Sleep – The Strokes

017. Katcham!!!

July 05, 2006 | 06:16
Já faz um tempo, as animações deixaram de ser coisa de criança e você só leva ver seu pimpolho pra ver Procurando Nemo pela oitava vez porque acha que ia ficar feio um marmanjo do seu tamanho cantarolando "continue a nadar, continuuuuue a nadar" sozinho no cinema. Como eu e Julio somos blogueiros e nem sabemos o que é reputação, depois de comemorar a vitória da França, fomos ver Carros (Cars, 2006), no meio de um monte de crianças pirracentas (se bem que eram menos pirracentos que o filhote de cruz credo que queria arrancar minha cabeça fora. Entenda aqui).
 

"Acharam Barrichelo McQueen comendo poeira?"

O mote da bagaça é o seguinte: Relâmpago McQueen é um novato, egocêntrico, veloz e promissor carro de corrida que termina o campeonato empatado com outros dois carros e tem que decidir quem será o maioral num tira teima na California. No caminho até lá, devido a contratempos que só ocorrem na ficção, McQueen quase destrói Radiator Springs - um pequeno pedaço de nada no meio do nada - e é obrigado a ficar lá até consertar o estrago feito. Aí temos lições de moral, clichês, blá, blá, blá até que McQueen faça seu ego desinflar do tamanho de um balão para o de uma bolinha de gude. Isso estraga o filme? Não, afinal é um desenho e a gente não podia esperar sarcasmo e humor negro.

Uma das grandes surpresas é a enorme quantidade de personagens carismáticos do filme, desde o guincho dublê do Chico Bento, Mate (responsável pelas risadas mais gostosas do filme), passando pelos ferraristas Guido e Luigi com seu sotaque da Móoca (a propósito, vai Azurra!!!) e por incrível que pareça, até McQueen parece ser um cara legal e não padece do mesmo mal que os protagonistas de outras animações que sempre são retratados da mesma maneira mala e que são completamente ofuscados por coadjuvantes que por si só valem o ingresso. Outro ponto fortíssimo é o espetáculo visual. A Pixar faz o que a gente acha que não existia e melhora ainda mais os gráficos. Carros é de longe a animação mais bonita de todas.

Deixe a vergonha - e seu filho - em casa e vá ver Carros.
Se for dirigir, não beba. Se for beber, me dê seu ingresso que eu vejo o filme por você.
 
PS: não vá embora antes de acabarem os créditos.

"Meu carro é vermelho
Não uso espelho pra me pentear"

Raul Seixas - Rua Augusta

014. McGyver em alto mar

June 27, 2006 | 07:59

Você tem certeza de que um filme é ruim quando você fica mais interessado em achar motivos pra trocadilhos do que em saber como a história acaba. E é isso que acontece em Poseidon, remake inspirado bem de longe no crássico dos filmes-catástrofe, O Destino de Poseidon. Multiplique isso por quatro e tenha dezenas de pessoas dizendo "shhhhhhhh" no cinema.
 
                                                    
  "Puta merda, tá pesado! De quem foi a idéia de salvar o Jô Soares também?"

Eu até faria uma resenha, se o filme tivesse uma história. Como não tem vou contar o que acontece: festa de ano novo num navio, do nada aparece um tsunami. O navio vira. Pessoas morrem. Coisas explodem. Apenas o Kurt Russell, aquele cara que não gosta do Hulk no filme dele e mais uma meia dúzia de blogueiros pessoas espertas tentam fugir. Aparece um problema, eles resolvem, aparece outro problema e eles resolvem pra aparecer outro problema e eles resolverem outra vez, bla bla bla. Fim.

Aliás, uma coisa que irrita (além do molequinho mala que sempre está no lugar errado ou se afogando ou fazendo comentários irritantes) é que eles sempre sabem o que fazer, são tão espertinhos que devem ser blogueiros esses putos.

                        
                        "Gente…fodeu. O Blogspot tá fora do ar"

Enfim, façam como nós, que só fomos porque ganhamos o ingresso.
Do contrário fique assistindo a Copa do Mundo.

"Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito"

Tim Maia - Como Uma Onda

006. Minha Santa Acheropita!!!

June 06, 2006 | 04:22

Eric diz:
Cazzo, to tentando fazer um post sobre X3 desde ontem e não consigo.
Gabi diz:
ah, eu também não.
aliás, ando sem inspiração pra escrever.

Eric diz:
Vamos unir nossos poderes e chamar o Capitão Planeta?
Gabi diz:
Água!
Eric diz:
Fogo!

bolas de feno
 
Gabi diz:
Terra!
Eric diz:
UOL!
Gabi diz:
AOL!
Eric diz:
Cepacol!
Gabi diz:
…Epocler?
Eric diz:
Hum…o Capitão Planeta deve estar preso no trânsito.

X Men 3 tem milhares de mutantes? Tem.
Tem um roteiro com 374 pontas soltas? Tem.
Tem porrada? PRA CARALHO!
 
 
"Se me chamar de Sargento Pincel eu esmago suas bolas" 
 
E é isso que faz de X3: O Confronto Final (X3: The Last Stand, 2006) o melhor filme da trilogia.
  • Porque o bucha do Ciclope morre e a buchinha da Vampira quase não aparece.
  • Porque o Fera, que ninguém gosta, chuta várias bundas.
  • Porque Bobby e Pyro fazem um duelo à la Scorpion vs. SubZero (CITAÇÃO NERD DETECTOR)
  • Porque a Tempestade finalmente usa a porra dos poderes dela de uma maneira decente.
  • Porque depois de três filmes tem cena de pegação entre a Jean e o Wolverine!
  • Porque o amor gay incipiente entre Magneto e Xavier floresce.
  • E que cena de pegação, minha gente!

E principalmente porque com meia hora a menos, ele mostra mais porrada que os outros dois filmes juntos.

"Bat macumba ê ê, bat macumba oba
Bat macumba ê ê, bat macumba oba"
Mutantes - Bat Macumba

004. Tristeza não tem fim, nem esse post

June 01, 2006 | 08:03

Tem certas coisas que não se pode deixar nas mãos de uma namorada. Um alicate depois de ter pisado na bola com ela, o cartão de crédito quando você se ausentar ou a escolha de um filme quando vocês forem ao cinema. Tá certo, ela precisava ver por causa da faculdade. Ok, ela ganhou os ingressos. Eu me rendo, eles estavam sorteando DVD’s! Mas ainda assim, a recomendação serve pra vocês quando as circunstâncias não forem essas, estamos entendidos? O filme em questão era Orfeu Negro (Marcel Camus, 1959), produção franco-brasileira que se passa no Carnaval e que por incrível que pareça, não tem ninguém pelado. A história evoca o mito grego de Orfeu - o cara que gostava tanto da mulher dele que desceu aos infernos pra buscar a coitada (só fez isso porque naquela época não havia cinema e ela não fazia sugestões malucas a respeito desse tipo de filme), mas que foi imbecil o bastante pra não aceitar as condições de Hades, o deus do Andar de Baixo e a perdeu pra sempre.
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"Xica da Silva é tua mãe, lazarento!"

Deixando a Enciclopédia Larrouse de lado por um instante, voltamos ao filme. Orfeu é piloto de bonde e sambista-malandragi do morro. Eurídice é uma caipira que vai parar no Rio de Janeiro em pleno Carnaval, quando o Comando Vermelho ainda não existia. Papo vai, papo vem, os dois se apaixonam, blá blá blá até que aparece um ser bizarro, vestido com uma fantasia de esqueleto de quinta categoria querendo matar Eurídice - motivo pelo qual ela fugiu da roça. Vale ressaltar a burrice de Eurídice, que sempre que avistava seu algoz, mesmo estando cercada de pessoas que poderiam lhe socorrer, corria o máximo que podia pra ser encurralada pelo nosso amigo Esqueleto sem que ninguém pudesse fazer nada. Entre meio elenco banguela e 38 versões de "tristeeeeeeeza não tem fim, felicidaaaaade, sim", aparece o Desfile de Escola de Samba mais desorganizado do mundo, Eurídice morre e…

- Puta que pariu! Onze e quinze!
- Vamos embora?
- Só se for agora.

Literalmente.

"Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã"

Adoniran Barbosa - Trem das Onze"